17,18 e 19 de maio
2016, São Paulo


O II Colóquio Cidades: experimentações sociais e criatividade política aconteceu no Centro Maria Antônia da Universidade de São Paulo e foi organizado por mim, Paolo Colosso e o Grupo de Estudos em Estética de Arte USP. Os três dias de debates partiram de três premissas:

i) o espaço urbano é socialmente produzido por forças contraditórias e desiguais;
ii) a centralidade característica da forma urbana é um fator de convergência de infraestruturas, capitais, agentes, conhecimentos e redes de produção de culturas;
iii) processos sociais gerais, muitas vezes abstratos, ganham feições concretas no espaço urbano.

Tais premissas respaldam nosso diagnóstico, para o qual as cidades têm sido, nos últimos anos, vetor na reprodução das condições de dominação, exploração e segregação, mas também lugar por excelência de experimentações sociais, de esforços inventivos e, ainda, de uma imaginação aberta a novas formas de participação e sociabilidade. O objetivo do Colóquio foi construir, por meio de abordagens interdisciplinares, uma crítica radical provida de disposição para o vislumbre de possiblidades, imbuída de criatividade e de perspectivas para uma cidade socializada.

Para tanto, as reflexões se estruturaram em três eixos. O primeiro analisou a constituição de subjetividades políticas e o papel destas na proposição de alternativas e horizontes utópicos. Isto incluiu reconstituir contribuições das gerações recentes da Teoria Crítica da Sociedade, a fim de compreender avanços no espaço público enquanto palco de lutas por reconhecimento, redistribuição, participação e, ainda, de imaginários em disputa. O segundo eixo abordou a potencialização de experimentações numa cultura urbana híbrida, na qual redes sociotécnicas e a presença de corpos nas ruas se articulam e se reforçam. O terceiro eixo tratou de intervenções com impactos estéticos e políticos que, tendo o urbano como palco, mediação e objeto de libido coletiva, visam abrir outros espaços e temporalidades.

Um dos objetivos deste evento foi por em dialogo vozes interdisciplinares da cidade. Procuramos criar debates não só entre as mesas, mas também um dialogo intra-mesa, entre praticantes e teóricos, entre a academia e uma estética publica. Na nossa visão, os processos criativos em arte publica tem colocado a academia cada vez mais em contato com interlocutores especializados e altamente reflexivos, num território epistemologicamente semelhante. Tais encontros, como este colóquio, geram questões como por exemplo:

• Qual é o potencial dos gestos estéticos, talvez utópicos, ou efêmeros, lançado de dentro do framework urbano?

• Como podemos teorizar a aproximação entre intervenções artísticas e os atos dos movimentos sociais?

• Qual é o significado de um processo de pesquisa estetizada? E quais são as reverberações de tais pesquisas sobre como e onde produzimos conhecimento?

O que está em jogo nesses três dias intensivos de discussão foi não apenas aplicar teorias acadêmicas para situações localizadas na cidade, mas fomentar novas teorias através de um envolvimento com abordagens conceituais que integram as experimentações sociais em suas diferentes expressões. Em outras palavras, o objetivo não era somente estudar as manifestações publicas, mas interagir e aprender diretamente com elas.

Programa
Todos as falas são disponíveis no YouTube


17/05 – terça-feira
9h15 - Abertura 9h30-11h30 - Mesa – Empoderamento, cidadania ativa e subjetividade política Peter P. Pelbart (PUC SP)
Pablo Ortellado (USP)
Mediação: Fabiano Vianna (USP)
11h30-13h30 – Mesa – Henri Lefebvre e o fenômeno urbano: crítica radical e as aberturas ao possível
Ana Fani A. Carlos (USP)
Fraya Frehse (USP)
Mediação: Luiz Recamán (USP)
13h30 -15h00 – intervalo 15h00-17h00 – Mesa - Ampliações no espaço público: luta por reconhecimento, redistribuição e desejo de participação
Rúrion de Melo (USP)
Inara Marin (Cebrap)
Mediação: Jéssica Omena (USP)
17h00- 17h30 - café 17h30- 19h30 – Mesa – Participação e disputa pelo espaço urbano Luciana Tatagiba (Unicamp)
Raquel Rolnik (USP)
Mediação: Stella Paterniani (UNB)


18/05 - quarta-feira
10h00-12h00 - Mesa – A potência de uma cultura urbana em espaços híbridos
Isabella Rjeille - Bienal de São Paulo
Paolo Colosso (USP)
Mediação: Laura Sobral (USP)
12h00-14h00 - intervalo 14h00-16h00 - Mesa – Tecnopolítica: usos recentes e possibilidades das redes sociotécnicas no espaço urbano
Javier Toret (Universidade Aberta de Catalunha)
Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC)
Mediação: André Pasti

16h00-16h30 – café

16h30- 18h30 – Mesa – Micro-utopias e intervenções artísticas: outros espaços e temporalidades
Amilcar Packer
Alex Flynn (Durham University)
Fabio Tremonte (Escola da Floresta)
Mediação: Rose Satiko (USP)

19/05 - quinta-feira 10h00-12h00 – Mesa – Artes, tecnologias digitais e esgarçamento do imaginário urbano
Paula Braga (UFABC)
David M. Sperling (USP)
Mediação: Ruy Luduvice (USP)
12h00-14h00 - intervalo 14h00-16h00 – Mesa – Pesquisa, estética, etnografia: modos de produzir conhecimento
Ilana Goldstein (UNIFESP)
Ícaro Lira - Residência Artística Cambridge
Mediação: Pedro Costa (USP)

16h00-16h30 – café
16h30-18h30 – Mesa – Reconfigurações na Partilha do Sensível
Vera Pallamin (USP)
Dora Longo Bahia (USP)
Mediação: Ricardo Fabbrini (USP)







auflynn [at] ucla.edu



Alex Ungprateeb Flynn is an Assistant Professor at the Department of World Arts and Cultures/Dance, University of California, Los Angeles. Working as an anthropologist and curator, Alex’s practice explores the intersection of ethnographic and curatorial modes of enquiry. Researching collaboratively with activists, curators and artists in Brazil since 2007, Alex explores the prefigurative potential of art in community contexts, prompting the theorisation of fields such as the production of knowledge, the pluriversal, and the social and aesthetic dimensions of form.