CLAIRE FONTAINE: EM VISTA DE UMA PRÁTICA READY-MADE 








Junto ao critico de arte Leonardo Araujo de São Paulo, vou editar um livro sobre a produção textual do Claire Fontaine, o coletivo artístico francês. O livro sairá pela Glac Edições Textólatras, uma editora independente.

Claire Fontaine é um colectivo artístico sediado em Paris, fundado em 2004. Roubando o seu nome a uma marca popular de cadernos escolares, Claire Fontaine declarou-se um "Artista Readymade" e começou a elaborar uma arte Neo-Conceptual que frequentemente se assemelha ao trabalho de outros. Utilizando materiais como néon, vídeo, escultura, pintura e texto, a sua prática pode ser descrita como uma contínua interrogação sobre a impotência política e a crise da singularidade que parecem hoje definir a arte contemporânea. Mas se o artista hoje é o equivalente subjectivo de um urinol ou de uma caixa Brillo - tão descolocado, tão privado de valor-de-uso e tão trocável quanto os produtos que produz – há sempre a possibilidade a que Claire Fontaine chama "Greve Humana." Claire Fontaine utiliza a sua frescura e juventude para fazer de si próprio uma singularidade-qualquer e um terrorista existencial em busca de emancipação subjectiva.

A ideia da edição desse livro é partir do micro ao macro, da conceitualização à prática, desde as ideias e suas elaborações até a relação com as instituições e a crítica à política clássica. Partindo dos textos do Claire Fontaine, pensamos três conjuntos de textos:

PARTE 1 — O READY-MADE COMO UM SER-ARTISTA
Concatenando alguns textos em que o Claire Fontaine exerce a conceitualização do que se chama de artista ready-made, como se auto denominam, esse conjunto pretende apresentar o caminho histórico e intelectual que Fontaine realiza como crítica e reflexão ao que faz-se constituí-lo . A greve humana e a universalidade de uma singularidade qualquer para qualquer ser-artísta são, como pano de fundo, de onde se constrói a particularidade de uma prática ready-made prevista para todo artista.

PARTE 2 — À PRÁTICA DAS RELAÇÕES: ARTISTA E INSTITUIÇÃO
Diante do primeiro conjunto de textos apresentado, como um interesse em friccionar as ideias exercidas, esta segunda parte foca nas trocas que o Claire Fontaine realizou com agentes e instituições do circuito de arte contemporânea. A fim de visibilizar a perspectiva exercida na compreensão do artista ready-made à suas relações profissionais e afetivas, unimos textos que apresentam conversar com curadores, diretores de museu e que dissertam sobre Fontaine reconhece suas aproximações e distancias políticas.

PARTE 3 — PERSPECTIVA AO CONTEMPORÂNEO
Após a passagem que apresenta o pensamento de Claire Fontaine e o que fazem de suas relações no meio de circulação de seus trabalhos, este último conjunto de textos abrange a perspectiva que o artista mantém com relação ao recente contexto político, ao capitalismo e à tomada revolucionária intelectual francesa que surgiu após a revista Tiqqun.










Fulvia Carnevale of Claire Fontaine speaks about the importance of Italian Feminisms
Images: Claire Fontaine, 'Untitled (We are all whatever singularities)', 2015 and 'Italy (Burnt/Unburnt)', 2012



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auflynn [at] ucla.edu



Alex Ungprateeb Flynn is an Assistant Professor at the Department of World Arts and Cultures/Dance, University of California, Los Angeles. Working as an anthropologist and curator, Alex’s practice explores the intersection of ethnographic and curatorial modes of enquiry. Researching collaboratively with activists, curators and artists in Brazil since 2007, Alex explores the prefigurative potential of art in community contexts, prompting the theorisation of fields such as the production of knowledge, the pluriversal, and the social and aesthetic dimensions of form.